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    Equipe da RSC inicia restauração de vereda degradada no Assentamento Oziel Alves III

    Com o objetivo de recuperar uma vereda degradada, a equipe da Rede de Sementes do Cerrado (RSC), que atua no Projeto Restauração Inclusiva em Escala no Cerrado, realizou, no último dia 20, uma visita técnica ao Assentamento Oziel Alves III, localizado em Planaltina (DF).

    Coordenadora de Restauração da RSC, Maria Eduarda Camargo, explica que essa vereda abriga uma nascente de grande importância para a região, mas enfrenta uma forte invasão de espécies exóticas, como os capins braquiária, braquiarão e andropogon, além do margaridão. “Essas espécies comprometem as funções ecossistêmicas da área e ameaçam a conservação e o funcionamento da nascente”, acrescenta.

    É importante destacar que essa restauração está sendo conduzida por coletores e restauradores de base comunitária que integram a Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (APROSPERA), no Distrito Federal. Durante a visita, a equipe técnica do projeto, em parceria com o técnico de campo local, Allf Lima, analisou a área e definiu as estratégias de restauração. Allf será responsável, como técnico local, por coordenar a implementação das ações, mobilizar os coletores de sementes da comunidade, além de monitorar e documentar o progresso da restauração.

    Segundo o técnico, as atividades do projeto de restauração terão um grande impacto na comunidade local, beneficiando diretamente 16 jovens que trabalham com 68 espécies nativas do Cerrado, abrangendo gramíneas, arbustos e árvores. “Além de promover o conhecimento técnico sobre restauração ecológica, a iniciativa também fomentará a economia local, gerando oportunidades para mulheres da comunidade, que fornecerão refeições aos trabalhadores. Paralelamente, outros jovens estarão envolvidos em atividades do projeto, como plantio, monitoramento, capina e roçada, fortalecendo a capacitação profissional e garantindo a manutenção das áreas restauradas ao longo do período de execução”, completa.

    Restauração


    Com 180 famílias beneficiadas pela reforma agrária, o Assentamento Oziel Alves III é o maior do Distrito Federal e destaca-se pela produção de orgânicos, produtos agroecológicos e extrativismo. No local, será restaurada uma área de quatro hectares de uma das nascentes do Rio Pipiripau. Essa área é caracterizada como vereda, com campos úmidos em seu entorno.

    A restauração será conduzida com estratégias específicas para cada ambiente: área seca, campo úmido e olho da nascente. As ações incluem a semeadura direta de espécies compatíveis com cada condição, especialmente capins nativos e arbustos, o transplante de plantas nativas de um campo de murundus próximo e medidas para conter espécies exóticas e reduzir o assoreamento da vereda.

    Sobre o projeto


    Financiado pela Cargill, o Projeto Restauração Inclusiva em Escala no Cerrado já trouxe diversos benefícios para o bioma e para as comunidades envolvidas. Até o momento, foram restaurados 250 hectares de vegetação nativa nos estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, beneficiando diretamente mais de mil pessoas.

    A iniciativa já mobilizou 71 comunidades, incluindo quilombolas, assentados, geraizeiros e indígenas, além de incentivar a participação de grupos de coletores de sementes e restauradores comunitários. Mais de cinco toneladas de sementes nativas já foram coletadas e utilizadas na recuperação de áreas degradadas.

    Além do impacto ambiental, o projeto contribui para fortalecer associações locais e capacitar moradores, gerando oportunidades no setor de restauração ecológica. Combinando conhecimento técnico e saberes tradicionais, a iniciativa reforça a importância da restauração inclusiva no Cerrado.

    Texto: Thaís Souza
    Edição: Maria Antônia Perdigão

    Publicado em 26/03/2025

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